

As hepatites virais estão entre as principais causas de doenças crônicas do fígado no mundo e representam um importante desafio para a saúde pública. Muitas vezes silenciosas, elas podem evoluir por anos sem apresentar sintomas, comprometendo progressivamente o funcionamento do fígado e aumentando o risco de cirrose, insuficiência hepática e câncer.
Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, a campanha de combate às hepatites reforça o alerta para uma característica marcante da doença: ela pode destruir o fígado sem causar dor ou sinais evidentes nas fases iniciais.
De acordo com especialistas, justamente por ser uma enfermidade silenciosa, milhares de pessoas convivem com o vírus sem saber que estão infectadas. Em muitos casos, o diagnóstico só ocorre quando surgem complicações graves, tornando o tratamento mais complexo.
As hepatites virais são causadas por diferentes tipos de vírus, classificados principalmente como A, B, C, D e E. Cada um possui formas distintas de transmissão e evolução clínica.
A hepatite A é geralmente transmitida pelo consumo de água ou alimentos contaminados e costuma apresentar evolução benigna. Já as hepatites B e C preocupam mais por poderem se tornar crônicas, causando danos permanentes ao fígado ao longo dos anos.
A transmissão das hepatites B e C pode ocorrer por contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes, relações sexuais desprotegidas e, no caso da hepatite B, também da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Entre os sintomas que podem surgir quando a doença já está mais avançada estão cansaço excessivo, febre, náuseas, perda de apetite, dores musculares, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados. Entretanto, muitas pessoas permanecem completamente assintomáticas durante anos.
Especialistas reforçam que a realização periódica de testes rápidos é a principal forma de identificar precocemente a infecção. Os exames estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Outra importante medida de prevenção é a vacinação. O SUS oferece gratuitamente a vacina contra a hepatite B para toda a população, além da imunização contra a hepatite A para crianças e grupos específicos previstos pelo Programa Nacional de Imunizações.
Além da vacinação, recomenda-se evitar o compartilhamento de seringas, alicates, lâminas de barbear, escovas de dentes e outros objetos que possam entrar em contato com sangue. O uso de preservativos nas relações sexuais também reduz significativamente o risco de transmissão.
Nos últimos anos, os avanços da medicina transformaram o tratamento das hepatites virais. A hepatite C, por exemplo, pode ser curada na maioria dos casos com medicamentos antivirais de alta eficácia, enquanto a hepatite B pode ser controlada com terapias capazes de reduzir a replicação do vírus e evitar complicações.
A campanha de conscientização busca incentivar a população a realizar os testes, atualizar a carteira de vacinação e procurar atendimento médico sempre que houver fatores de risco ou suspeita da doença. Segundo especialistas, identificar a infecção precocemente é a melhor estratégia para impedir que uma doença silenciosa provoque danos irreversíveis ao fígado e comprometa a qualidade de vida do paciente.