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Mais de 300 mil idosos no Brasil se autodeclaram autistas, aponta análise baseada no Censo 2022

Estudo da PUCPR revela baixa prevalência registrada de TEA entre pessoas com 60 anos ou mais, mas destaca desafios no diagnóstico tardio e na formulação de políticas públicas

Publicada em 05/01/26 às 07:38h - 108 visualizações

por Rádio Gospel Semeai


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A prevalência autodeclarada de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre pessoas com 60 anos ou mais no Brasil é de 0,86%, o que corresponde a aproximadamente 306.836 indivíduos. A taxa é ligeiramente maior entre os homens (0,94%) do que entre as mulheres (0,81%). Os dados fazem parte de uma análise realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com base nas informações do Censo Demográfico de 2022.

O estudo lança luz sobre um grupo historicamente invisibilizado nas pesquisas e nas políticas públicas: os idosos no espectro autista. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum grau de TEA, uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação, na interação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento.

Embora o TEA seja geralmente identificado na infância, trata-se de uma condição que acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida. No entanto, entre adultos mais velhos, o reconhecimento do transtorno ainda é limitado, tanto no que se refere ao diagnóstico quanto ao acesso a acompanhamento especializado e terapias adequadas.

Para a pesquisadora do PPGCS da PUCPR, Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro, os dados reforçam a necessidade de ações específicas voltadas a essa população. “Do ponto de vista das políticas públicas de saúde, esses números evidenciam a importância de desenvolver estratégias para a identificação e o apoio a adultos mais velhos com TEA. A prevalência tem crescido nos últimos anos, mas a literatura científica nacional e internacional ainda é escassa quando se trata do TEA no contexto do envelhecimento”, afirma.

Segundo a pesquisadora, pessoas que envelhecem no espectro autista tendem a apresentar maior vulnerabilidade em diferentes aspectos da saúde. Estudos indicam redução da expectativa de vida e elevada prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão, além de maior risco de declínio cognitivo. Também são observadas taxas mais altas de condições clínicas, como doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.

“Dificuldades de comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez comportamental podem dificultar ainda mais o acesso dessa população aos serviços de saúde. Por isso, conhecer a prevalência do TEA em pessoas idosas no Brasil é um primeiro passo fundamental para compreender suas necessidades e subsidiar a formulação de políticas públicas direcionadas”, destaca Uiara.

Diagnóstico tardio

O diagnóstico do TEA na velhice é considerado um dos principais desafios. De acordo com a pesquisadora, manifestações comuns do transtorno — como isolamento social, inflexibilidade, comportamentos rígidos e interesses restritos — podem ser confundidas com características de outros transtornos ou com sintomas associados à ansiedade, à depressão ou a quadros demenciais.

Além disso, a escassez de profissionais capacitados para identificar o TEA em adultos mais velhos, aliada às mudanças nos critérios diagnósticos ao longo das décadas, contribui para a subnotificação dos casos. “Muitos idosos cresceram em períodos em que o autismo era pouco conhecido ou sequer diagnosticado, o que dificulta o reconhecimento tardio”, explica.

Apesar dos desafios, o diagnóstico na velhice pode trazer impactos positivos. “Quando finalmente recebem o diagnóstico, muitos idosos relatam alívio, pois passam a compreender melhor dificuldades interpessoais e sensoriais vivenciadas ao longo da vida. Isso promove maior autocompreensão, aceitação e qualidade de vida”, conclui a especialista.

O estudo reforça a urgência de ampliar o debate sobre o envelhecimento no espectro autista e de adaptar os serviços de saúde e assistência social para atender às demandas específicas dessa população em crescimento.

Fonte: Informações Agencia Brasil




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