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Brasil e EUA: uma relação comercial assimétrica com impactos sensíveis

Brasileiros são principal fornecedor de 2,3% dos itens importados pelos EUA, que foram o principal destino de 27% de tudo o que o Brasil exportou

Publicada em 30/07/25 às 08:45h - 130 visualizações

por Fabricio Moretti - Mais Goias


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Foto: Agência Brasil  (Foto: )

Um levantamento recente evidenciou uma realidade econômica que há tempos se delineava: o Brasil é significativamente mais dependente dos Estados Unidos no comércio bilateral do que o contrário. Dados da plataforma UN Comtrade, das Nações Unidas, escancaram essa disparidade: enquanto os EUA figuram como o principal destino de uma ampla gama de produtos brasileiros, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta entre os grandes fornecedores da maior economia do mundo.

Em 2024, os Estados Unidos foram o principal destino de 323 dos 1.199 produtos diferentes exportados pelo Brasil — o que representa 27% da pauta exportadora diversificada do país. Em termos de valor, essas exportações somaram US$ 24 bilhões, equivalentes a 7% de todo o volume exportado pelo Brasil no ano.

No entanto, o movimento inverso mostra um cenário desigual. Dos 1.227 produtos importados pelos EUA em 2024, o Brasil foi o principal fornecedor de apenas 28 itens, o que representa meros 2,3% do total. Em valores, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 13,8 bilhões, o que equivale a apenas 0,41% dos US$ 3,3 trilhões que os americanos gastaram com importações no ano.

Esse retrato revela, de forma clara, a assimetria na balança comercial entre os dois países. O Brasil depende muito mais dos EUA do que os EUA dependem do Brasil — tanto em termos de valor quanto de diversidade de produtos. Trata-se de uma relação comercial sensível e vulnerável, especialmente a mudanças de política externa e medidas protecionistas adotadas por Washington.

Ainda assim, há segmentos da economia americana que sentem fortemente a presença brasileira, com destaque para setores nos quais o Brasil é líder absoluto de fornecimento. Um exemplo expressivo é o setor siderúrgico: em 2024, 76% das importações americanas de produtos semimanufaturados de ferro ou aço vieram do Brasil, totalizando US$ 1,8 bilhão. O segundo maior fornecedor, o México, participou com apenas 12,5%. Esse dado revela o peso estratégico do Brasil para a indústria metalúrgica americana — um ponto sensível a tarifas, como a sobretaxa de 50% imposta ao aço brasileiro durante o governo de Donald Trump.

Outro setor de destaque é o de pastas químicas de madeira, insumo essencial para a indústria de papel e celulose, no qual o Brasil respondeu por 42,4% (US$ 1,6 bilhão) das importações americanas. O fornecimento de minérios de ferro também demonstra a relevância brasileira, representando 54,6% (US$ 455,4 milhões) do total comprado pelos EUA.

Na cadeia alimentar, o Brasil também tem forte presença. É o principal fornecedor de café para os Estados Unidos, especialmente na categoria de café não torrado e não descafeinado, responsável por US$ 1,9 bilhão em exportações. Somando todas as categorias, o café brasileiro respondeu por cerca de 22% de todo o café importado pelos EUA no último ano.

Outro destaque é o setor de sucos de frutas, em que o Brasil exportou US$ 1,2 bilhão para os Estados Unidos — representando cerca de 30% das importações americanas no segmento. Os principais itens foram: suco de laranja não congelado (US$ 938,3 milhões), suco de laranja congelado (US$ 741,7 milhões), mistura de sucos (US$ 142 milhões) e suco de maçã (US$ 121 milhões).

O Brasil também lidera o fornecimento de tabaco não manufaturado (US$ 264,8 milhões), com participação de 33% no mercado americano. Além disso, destaca-se no fornecimento de sebo bovino (36,4%) e açúcar de cana ou beterraba (28,9%).

Apesar da relevância em setores estratégicos, o cenário geral reforça a dependência brasileira em relação aos Estados Unidos. A vulnerabilidade dessa relação comercial torna o Brasil suscetível a impactos diretos diante de decisões políticas, como alterações tarifárias, mudanças em acordos bilaterais ou políticas de incentivo à produção doméstica nos EUA.

Para reverter ou ao menos mitigar essa dependência, especialistas apontam a necessidade de o Brasil diversificar seus mercados de exportação, fortalecer acordos comerciais com outras regiões — como União Europeia, Ásia e África — e aumentar o valor agregado de seus produtos. Sem isso, o país continuará ocupando uma posição periférica no comércio global, especialmente frente a economias que dominam a agenda econômica internacional.


*Com informações da Folha de São Paulo




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