

O estado de Goiás não possui litoral, mas abriga um dos maiores espelhos d'água artificiais do Brasil. Localizado na região Sul do estado, o Lago das Brisas tornou-se um dos principais atrativos turísticos goianos por suas dimensões impressionantes, que ultrapassam a área territorial de Goiânia e rivalizam com grandes acidentes geográficos brasileiros, como a Baía de Guanabara.
Associado principalmente ao município de Buriti Alegre, o reservatório foi formado com a construção da Usina Hidrelétrica de Itumbiara, no Rio Paranaíba, na divisa entre Goiás e Minas Gerais. Atualmente, além de desempenhar papel estratégico na geração de energia elétrica, o lago é um importante polo para o turismo, a pesca esportiva, os esportes náuticos e o lazer.
Um "mar de água doce" no coração do Cerrado
De acordo com a Prefeitura de Buriti Alegre e o Inventário da Oferta Turística da Goiás Turismo, o Lago das Brisas possui aproximadamente 778 km² de área, sendo frequentemente descrito como um verdadeiro "mar de água doce" devido à sua enorme extensão.
Para efeito de comparação, o município de Goiânia possui 729,3 km² de área territorial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que, considerando os números divulgados pelos órgãos de turismo, o lago é cerca de 49 km² maior que toda a capital goiana.
A dimensão do reservatório proporciona, em diversos pontos, a sensação de mar aberto, com grandes distâncias entre as margens e paisagens que surpreendem moradores e turistas.
Comparação com a Baía de Guanabara depende da metodologia
Os materiais oficiais de divulgação turística afirmam que o Lago das Brisas possui aproximadamente 2,5 vezes a área da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Entretanto, essa comparação pode variar conforme a metodologia utilizada para calcular os espelhos d'água.
Enquanto documentos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontam cerca de 380 km² para a Baía de Guanabara, estudos técnicos da Eletrobras registram 737 km² de área alagada para o reservatório da Usina de Itumbiara — número inferior aos 778 km² apresentados pelos órgãos de turismo.
Especialistas explicam que essas diferenças costumam ocorrer devido aos critérios utilizados em cada levantamento, como o nível operacional do reservatório, variações sazonais do volume de água e os limites considerados durante a medição.
Reservatório nasceu com a construção da Usina de Itumbiara
O Lago das Brisas não é uma formação natural. Ele surgiu a partir do represamento do Rio Paranaíba durante a construção da Usina Hidrelétrica de Itumbiara, iniciada na década de 1970.
A barragem passou a operar comercialmente no início da década de 1980 e integra o sistema nacional de geração de energia elétrica. Com capacidade instalada de 2.082 megawatts (MW), a usina figura entre as maiores hidrelétricas do país.
Além do Rio Paranaíba, o reservatório recebe águas de importantes cursos d'água da região, como os rios Piracanjuba e Corumbá, formando uma extensa área navegável que transformou completamente a paisagem do Sul goiano.
Turismo impulsiona economia regional
Ao longo das últimas décadas, o Lago das Brisas deixou de ser apenas um reservatório destinado à geração de energia e tornou-se um importante vetor de desenvolvimento econômico.
Buriti Alegre consolidou sua identidade turística em torno do lago e integra a Região Turística Lagos do Paranaíba, juntamente com municípios como Itumbiara, São Simão, Caçu, Cachoeira Dourada, Quirinópolis, Lagoa Santa e Três Ranchos.
Outro destaque é o povoado de Corumbazul, localizado às margens do reservatório, que concentra pousadas, restaurantes, marinas e infraestrutura voltada ao atendimento de visitantes.
Durante finais de semana, feriados prolongados e períodos de férias, o movimento de turistas cresce significativamente, impulsionando hotéis, bares, restaurantes, serviços náuticos, comércio e atividades ligadas à pesca esportiva.
Destino ideal para pesca e esportes aquáticos
As características do Lago das Brisas favorecem diversas atividades recreativas e esportivas.
Entre as principais atrações estão:
O inventário turístico elaborado pela Goiás Turismo destaca ainda a riqueza da biodiversidade local e as belas paisagens formadas pelo encontro entre o Cerrado e as águas do reservatório.
Navegação exige atenção redobrada
Apesar de oferecer excelentes condições para o turismo náutico, o Lago das Brisas também exige cuidados por parte dos visitantes.
Sua grande extensão faz com que algumas travessias ocorram longe das margens, aumentando os riscos em casos de pane mecânica ou mudanças bruscas nas condições climáticas.
Um exemplo ocorreu em maio de 2020, quando seis pessoas permaneceram à deriva durante cerca de seis horas após o motor de uma embarcação apresentar problemas. O grupo foi localizado e resgatado pelo Corpo de Bombeiros sem ferimentos.
As autoridades recomendam que os navegadores:
Potencial turístico ainda pode crescer
Embora seja um dos maiores reservatórios artificiais do Brasil e reúna condições favoráveis para o ecoturismo e o turismo náutico, o Lago das Brisas ainda possui menor projeção nacional quando comparado a destinos goianos consolidados, como Chapada dos Veadeiros, Pirenópolis, Caldas Novas e o Rio Araguaia.
Mesmo assim, a combinação entre natureza preservada, esportes aquáticos, pesca, infraestrutura turística e fácil acesso faz do Lago das Brisas um dos destinos mais promissores para quem busca lazer em contato com a natureza.
Com área estimada entre 737 km² e 778 km², dependendo da metodologia utilizada, o reservatório reafirma seu papel como um dos maiores patrimônios naturais e turísticos de Goiás, fortalecendo Buriti Alegre como referência no turismo náutico e de contemplação no Centro-Oeste brasileiro.