

O aumento dos acidentes de trânsito em Goiás já impacta diretamente a rede pública de saúde, elevando o número de atendimentos de urgência e ampliando os custos hospitalares. Dados do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, mostram que os atendimentos relacionados a ocorrências no trânsito cresceram 17% nos quatro primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre janeiro e abril deste ano, a unidade recebeu 2.024 vítimas de acidentes de trânsito. No mesmo intervalo de 2025, foram registrados 1.731 atendimentos. O aumento representa 293 novos casos graves em apenas quatro meses, evidenciando a crescente demanda por serviços de emergência no estado.
Os números refletem uma realidade preocupante em Goiás. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), o estado contabilizou 109.776 acidentes de trânsito ao longo de 2025, resultando em 972 mortes. Já em 2026, antes mesmo de atingir a metade do ano, foram registrados 40.974 acidentes e 334 mortes até a primeira quinzena de maio.
Casos graves exigem atendimento especializado
De acordo com o gerente médico de Urgência e Emergência do Hugol, Dinoel Cavalcante Guimarães Filho, a principal preocupação é a gravidade dos pacientes que chegam ao hospital.
“Muitos pacientes dão entrada em estado grave, com múltiplas fraturas, traumatismo cranioencefálico, lesões complexas e hemorragias internas, exigindo atendimento rápido e integrado de diversas equipes médicas”, destacou o especialista.
Segundo ele, acidentes envolvendo motocicletas continuam entre as principais causas de internações graves, especialmente entre jovens adultos em idade produtiva.
Os atendimentos a vítimas politraumatizadas exigem mobilização de profissionais de diferentes especialidades, além de leitos de terapia intensiva, procedimentos cirúrgicos de alta complexidade e acompanhamento prolongado durante a recuperação.
Impacto financeiro preocupa gestores da saúde
Além das consequências humanas e sociais, o aumento dos acidentes também gera impactos significativos nos cofres públicos.
Pacientes vítimas de traumas graves geralmente necessitam de cirurgias complexas, exames de alta tecnologia, uso de medicamentos especializados, internações prolongadas e programas de reabilitação multidisciplinar, o que eleva consideravelmente os custos do atendimento hospitalar.
Especialistas alertam que muitos desses acidentes poderiam ser evitados com atitudes simples, como o respeito aos limites de velocidade, o uso correto dos equipamentos de segurança, a não utilização do celular ao volante e a combinação entre direção e consumo de bebidas alcoólicas.
Maio Amarelo reforça conscientização no trânsito
O alerta ganha ainda mais relevância durante a campanha Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização para a redução de acidentes e mortes no trânsito.
Neste ano, o tema da campanha é: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, destacando a importância da empatia, da responsabilidade e do respeito entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
A iniciativa busca conscientizar a população sobre a necessidade de adotar comportamentos mais seguros e prevenir tragédias que impactam milhares de famílias todos os anos.
Autoridades de trânsito e profissionais da saúde reforçam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir acidentes, salvar vidas e evitar a sobrecarga dos serviços públicos de saúde.
Enquanto os números seguem em alta, o desafio permanece: transformar a conscientização em atitudes concretas que tornem o trânsito mais seguro para todos.
Fonte: Informações Mais Goiás.