

O aumento da presença de animais peçonhentos em áreas urbanas e rurais tem elevado o número de acidentes em Goiás. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), apontam que o estado registrou 5.586 acidentes envolvendo cobras, escorpiões, aranhas, abelhas e outros animais peçonhentos entre janeiro e maio de 2026.
O número representa uma média de aproximadamente 38 ocorrências por dia. Em todo o ano de 2025, Goiás contabilizou 15.079 registros desse tipo.
Segundo especialistas, fatores como crescimento urbano desordenado, acúmulo de lixo e entulho, além da ocupação humana em áreas rurais e de vegetação, contribuem para o aumento do contato entre pessoas e esses animais.
Escorpiões concentram maioria dos casos
Os escorpiões são responsáveis pela maior parte das ocorrências registradas neste ano. Ao todo, foram 3.287 acidentes, o equivalente a 57,8% dos casos contabilizados no estado.
Na sequência aparecem:
Apesar de os escorpiões liderarem em número de acidentes, as serpentes continuam sendo as principais responsáveis pelos casos mais graves e pelos óbitos registrados.
Morte por picada de cascavel acende alerta
No último dia 21, um trabalhador rural de 56 anos morreu após ser picado por uma cobra cascavel em Piracanjuba, na região sul do estado.
O caso ganhou repercussão após o afastamento da equipe responsável pelo atendimento médico da vítima, identificada como José Carlos Bernardes de Campo, devido à não utilização do soro antiofídico durante o atendimento.
A situação reacendeu o debate sobre a importância do atendimento rápido e da aplicação correta do soro antiveneno em casos de acidentes com serpentes.
Especialistas orientam medidas de prevenção
A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, explica que a prevenção é fundamental para reduzir os acidentes, especialmente em ambientes urbanos.
Segundo ela, manter quintais limpos, evitar acúmulo de lixo, folhas secas, entulhos e restos de materiais ajuda a diminuir a presença de insetos, principalmente baratas, que servem de alimento para escorpiões.
“Se tiver sujeira, vai ter barata. E, se tiver barata, pode ter escorpião”, alertou a subsecretária.
Em áreas rurais, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção individual, como botas e perneiras, além de redobrar a atenção em locais com vegetação alta, pedras, troncos e áreas úmidas.
Flúvia também orienta que moradores do campo tenham cuidado ao calçar botas e sapatos.
“É necessário sempre virar o cano da bota para baixo antes de calçar, evitando encontrar animais peçonhentos dentro do calçado”, explicou.
Atendimento rápido pode evitar mortes
Em caso de acidente, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
A orientação das autoridades é que a vítima tente identificar o animal responsável, desde que isso seja feito de forma segura, sem contato direto. Fotografias podem auxiliar os profissionais de saúde na escolha do tratamento adequado.
Também é recomendado lavar o local da picada com água e sabão, evitando receitas caseiras, cortes, torniquetes ou qualquer tipo de substância aplicada sobre o ferimento.
De acordo com a SES-GO, o estado possui soro antiofídico disponível em 86 municípios goianos.
O tratamento rápido é considerado fundamental para evitar complicações graves, sequelas permanentes e mortes causadas pela ação das toxinas presentes no veneno dos animais peçonhentos.
Especialistas reforçam que a conscientização da população e o fortalecimento da rede de atendimento são medidas essenciais diante do aumento expressivo dos casos em Goiás.
Fonte: Com informações Mais Goias