

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) estabeleceu prazo de 48 horas para que a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) se manifeste e adote providências imediatas para garantir a realização de cirurgia cardíaca urgente no bebê Enrico dos Santos Silva, de quatro meses. A cobrança partiu da 38ª Promotoria de Justiça de Goiânia, após a família relatar dificuldades para dar continuidade ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Enrico está internado desde o nascimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz (Hugol). Ele foi diagnosticado com hipoplasia do ventrículo esquerdo, uma cardiopatia congênita grave que demanda cirurgias complexas em centros altamente especializados. De acordo com o MP-GO, o quadro clínico é considerado de altíssimo risco, o que torna o procedimento inadiável.
No ofício encaminhado à SES-GO, a promotoria solicita que o Estado providencie, com urgência, a cirurgia necessária, incluindo a transferência do paciente para um hospital de referência fora de Goiás, caso não haja condições técnicas para o atendimento no Estado. A principal opção indicada pela família é o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, que, até o momento, não dispõe de vaga disponível.
A Secretaria de Estado da Saúde ainda está dentro do prazo legal de 48 horas, contado a partir do recebimento do documento, para apresentar resposta oficial ao Ministério Público.
O bebê já passou pela primeira etapa do tratamento cirúrgico, mas necessita dar continuidade ao protocolo em uma unidade que disponha de Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), equipamento que funciona como um suporte artificial para o coração e os pulmões e que não está disponível no Hugol.
Enquanto aguarda a definição sobre a transferência, Enrico permanece internado sob monitoramento constante da equipe médica. A expectativa da família é que a intervenção do Ministério Público acelere uma solução que garanta o tratamento indispensável à sobrevivência da criança.
“Têm sido dias muito difíceis. Fico apreensiva e me pergunto todos os dias se vamos conseguir. Já vi muitos bebês partirem por não resistirem, e sempre penso no meu”, desabafa a mãe, Pollyane Morgane.
Dificuldades financeiras
Além da angústia com o estado de saúde do filho, a família enfrenta
dificuldades financeiras. Pollyane deixou o emprego para acompanhar Enrico
durante a internação, enquanto o pai da criança trabalha e cuida da outra filha
do casal, de cinco anos. Sem previsão de alta e com despesas contínuas, a
família pede apoio para conseguir se manter durante o período de
hospitalização. As doações podem ser feitas diretamente à mãe por meio do PIX: 133.888.804-84.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que já prestou esclarecimentos ao Ministério Público. “Como o procedimento exigido não pode ser realizado em Goiás, a SES-GO busca esse atendimento em unidades de referência em outros Estados e aguarda posicionamento sobre a cessão de vaga para a transferência via Tratamento Fora de Domicílio (TFD), no fluxo de urgência. Enquanto aguarda a transferência, o paciente recebe todo o acompanhamento médico e multiprofissional no Hugol”, afirmou a pasta.
Fonte: Informações Mais Goias