

Metodologias ativas e elementos lúdicos, como aprendizagem baseada em projetos, robótica educacional e uso de jogos em sala de aula, têm sido adotados como estratégia para melhorar o desempenho dos estudantes na rede estadual de ensino de Goiás. A iniciativa integra ações da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO).
Ao portal Mais Goiás, o assessor pedagógico de Educação Integral da Seduc-GO, Gustavo Bordignon Franz, explicou que, quando o aluno participa ativamente da construção do conhecimento, o aprendizado tende a se tornar mais consistente e significativo.
“Já foi comprovado que aprendemos mais quando nos sentimos confortáveis e emocionalmente envolvidos. O afeto e as emoções têm impacto direto na memorização e na compreensão dos conteúdos”, afirma. Segundo ele, essas práticas tornam as aulas mais atrativas, ampliam o engajamento e contribuem diretamente para a melhoria do desempenho escolar.
Metodologias aplicadas
Entre as principais metodologias ativas utilizadas na rede estadual, Gustavo destaca a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). Nesse modelo, os estudantes desenvolvem projetos voltados à solução de problemas reais da escola ou da comunidade, promovendo protagonismo, trabalho em equipe e aplicação prática dos conteúdos.
Outra estratégia apontada é a instrução por pares. O método consiste na aplicação de uma avaliação diagnóstica inicial pelo professor, seguida de discussões em grupo e de uma nova verificação do aprendizado. A prática permite identificar rapidamente as dificuldades dos alunos e ajustar a abordagem pedagógica quase de forma imediata. “É uma metodologia muito eficiente, especialmente em disciplinas como Matemática, porque gera feedback rápido sobre a aprendizagem dos estudantes”, explica o assessor.
A robótica educacional também integra o conjunto de práticas adotadas. A atividade pode ser desenvolvida tanto com kits estruturados, adquiridos pela rede estadual, quanto com materiais alternativos, como sucata e itens recicláveis. A proposta estimula o raciocínio lógico, a organização do pensamento e a criatividade, além de favorecer a inclusão de estudantes com dificuldades de aprendizagem.
A quarta metodologia destacada é a gamificação, que consiste na aplicação de elementos característicos dos jogos — como fases, pontuação, desafios e feedback imediato — no contexto das aulas. A estratégia pode ser utilizada com ou sem o apoio de tecnologia. Segundo Gustavo, é possível criar personagens e desenvolver narrativas que envolvam os estudantes no conteúdo trabalhado. “A gamificação não depende necessariamente de recursos digitais; pode ser aplicada com papel e caneta, plaquinhas ou atividades interativas, como um ‘passa ou repassa’”, exemplifica.
Por fim, o assessor ressalta o uso direto de jogos na educação, sejam eles eletrônicos ou analógicos. Diferentemente da gamificação, que utiliza apenas elementos dos jogos, essa metodologia emprega o próprio jogo como ferramenta pedagógica. Games ambientados em contextos históricos, por exemplo, podem ser utilizados para discutir conteúdos de História de maneira mais imersiva. De acordo com Gustavo, essa estratégia favorece o chamado “estado de fluxo”, condição em que o estudante permanece altamente concentrado na atividade, potencializando a aprendizagem.
Emoção e aprendizagem
Para o especialista, o diferencial das metodologias ativas está na capacidade de despertar emoções positivas no ambiente escolar. Ele explica que, quando o estudante se sente confortável, aprecia o conteúdo, a aula e até mesmo a relação com o professor, cria-se uma conexão afetiva que influencia diretamente o processo de aprendizagem.
Esses elementos, relacionados ao afeto e às emoções, têm impacto significativo na educação, contribuindo para que o conteúdo seja assimilado e memorizado com maior facilidade. Segundo a Seduc-GO, a adoção dessas práticas faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da educação integral e de melhoria contínua dos indicadores de aprendizagem na rede estadual.
Fonte: Informações Mais Goias