

Na primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Foi a quinta reunião consecutiva em que a autoridade monetária optou pela manutenção da taxa, decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro. O comunicado oficial, no entanto, trouxe uma sinalização clara de que o ciclo de cortes pode ter início no próximo encontro, em março.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o Copom no texto. A decisão foi tomada por unanimidade.
Embora a manutenção da Selic já fosse aguardada, analistas destacaram o tom mais direto adotado pelo Banco Central ao indicar a possibilidade de redução dos juros. Para o economista-chefe da G5 Partners, Luís Otávio Leal, a comunicação foi mais objetiva do que o habitual.
— O BC foi direto ao afirmar que o processo de flexibilização da política monetária começa na próxima reunião, em março. Normalmente, os comunicados do Copom, até por serem curtos, trazem informações mais limitadas sobre os próximos passos — avaliou.
Na mesma linha, Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia, destacou a suavização do discurso do Banco Central.
— O tom foi mais brando, com a exclusão das frases que indicavam a necessidade de manter uma política monetária significativamente contracionista por um período prolongado. Também foi retirada a menção de que o Copom não hesitaria em retomar o ciclo de alta caso julgasse apropriado — afirmou.
Goldenstein projeta que o primeiro corte da Selic, em março, seja de 0,50 ponto percentual, levando a taxa para 14,50% ao ano. A mesma expectativa é compartilhada por Leal, que avalia que o nível atual dos juros reais segue elevado.
— A taxa de juros real está muito alta, tanto considerando a inflação passada (10,74%) quanto a inflação futura (10,99%). Isso abre espaço para um ciclo inicial de cortes mais intensos. Para o fim do ano, nossa expectativa é que a Selic chegue a 12,50% ao ano — disse.
Apesar da recente melhora nas projeções de inflação, o Banco Central reforçou a necessidade de cautela, especialmente diante do cenário internacional. No comunicado, a instituição citou a conjuntura econômica e a política monetária dos Estados Unidos, além das tensões geopolíticas, como fatores que podem afetar as condições financeiras globais.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em um ambiente marcado por maior incerteza e tensão geopolítica”, destacou o Copom. No âmbito doméstico, o BC observou que os indicadores econômicos apontam para uma moderação do crescimento da atividade, enquanto o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de resiliência.
De acordo com a última pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, as instituições financeiras reduziram pela terceira semana consecutiva a projeção para o IPCA de 2026, que agora está em 4%. A estimativa para 2027 também recuou, para 3,80%. Mesmo assim, o Copom segue atento aos riscos inflacionários, como a persistência da inflação de serviços e eventuais impactos de políticas econômicas internas e externas, especialmente por meio de uma taxa de câmbio mais depreciada.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, pois influencia diretamente os juros cobrados de consumidores e empresas. A meta oficial de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) também decidiu, nesta quarta-feira, manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado e interrompeu um ciclo de três cortes consecutivos promovidos pelo banco central norte-americano.
Fonte: Informações Mais Goias