

O custo da cesta básica voltou a subir na maior parte do país em junho. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço dos alimentos essenciais aumentou em 17 capitais brasileiras durante o mês, refletindo a continuidade da pressão sobre o orçamento das famílias.
A maior elevação foi registrada em Boa Vista, onde o custo médio da cesta avançou 3,28%. Em seguida aparecem Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%). Nas demais capitais pesquisadas e no Distrito Federal, houve redução no valor da cesta básica.
Apesar das quedas registradas em algumas localidades, o levantamento mostra que o custo da alimentação continua acumulando alta em todas as capitais brasileiras ao longo de 2026.
Feijão lidera aumento dos alimentos
Entre os produtos pesquisados, o feijão foi o principal responsável pelo aumento da cesta básica em junho, registrando alta em todas as cidades analisadas.
Segundo o Dieese, o aumento dos preços está relacionado à redução da área cultivada e aos problemas climáticos que comprometeram a produtividade da primeira e da segunda safras.
Além do feijão, outros alimentos importantes para o consumo diário também apresentaram aumento, entre eles:
Esses produtos têm peso significativo no orçamento doméstico e contribuem para elevar o custo da alimentação das famílias brasileiras.
Café apresenta queda na maior parte das capitais
Na contramão da alta observada em diversos alimentos, o café em pó apresentou redução de preços em 25 das cidades pesquisadas.
Goiânia registrou a maior queda do país, com recuo de 4,82% no valor do produto.
Já em Macapá ocorreu o movimento oposto. A capital do Amapá apresentou aumento de 5,37% no preço do café, a maior alta registrada para o item no período.
Capitais com maior redução da cesta básica
Entre as cidades onde houve queda no custo da cesta básica em junho, João Pessoa apresentou o maior recuo, de 3,97%.
Na sequência aparecem:
Mesmo com esses resultados positivos no mês, o levantamento mostra que nenhuma capital conseguiu escapar do aumento acumulado dos alimentos no primeiro semestre.
Custo da cesta sobe em todas as capitais em 2026
Nos seis primeiros meses do ano, todas as capitais pesquisadas registraram aumento no custo da cesta básica.
As variações acumuladas vão de 4,02%, em São Luís, até expressivos 21,48%, em Fortaleza, demonstrando que a inflação dos alimentos continua sendo um dos principais fatores de impacto sobre o custo de vida da população.
O levantamento reforça que os preços dos alimentos permanecem entre os principais responsáveis pela perda do poder de compra dos trabalhadores.
São Paulo mantém a cesta básica mais cara do Brasil
Pelo segundo semestre consecutivo, São Paulo permaneceu como a capital com a cesta básica mais cara do país.
Em junho, o conjunto de alimentos essenciais custou, em média, R$ 965,47.
As quatro capitais com os maiores valores foram:
Nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta básica é diferenciada em relação às demais capitais, os menores custos foram registrados em:
Salário mínimo ideal supera R$ 8 mil
Com base no valor da cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo, o Dieese calcula que o salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92 em junho.
O cálculo considera o que estabelece a Constituição Federal, segundo a qual o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas essenciais com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência social.
Atualmente, o salário mínimo oficial é de R$ 1.621, valor que corresponde a aproximadamente um quinto do montante estimado pelo Dieese como necessário para assegurar as necessidades básicas de uma família brasileira.
Na avaliação do instituto, a diferença evidencia os desafios enfrentados pelos trabalhadores diante do aumento persistente do custo de vida, especialmente dos alimentos, que continuam comprometendo uma parcela significativa da renda das famílias.
Fonte: Informações Mais Goias.